sábado, março 25, 2006

Reminiscências


Dia chuvoso de março. Eu ia escorregando na almofada, enterrando minha cabeça entre a espuma e escondendo a face desfeita em lágrimas. Eu sempre quis que ele estivesse aqui. Eu sempre desejei falar com ele mais uma vez, como a daughter do filme do Michael Dudok. Apenas uma vez. Porque aqui chove e eu ainda espero como se ele estivesse voltando na próxima estação. Choro porque nem consegui me despedir dele... E todos os dias, como se ele estivesse sorrindo ao meu lado, repito que serei feliz. Só desanimo, incrivelmente, quando estou bêbada.






Para ele eu era o Linus, andava segurando uma fralda e pedindo colo. Eu sempre chorava e queria colo. Não queria que ele saísse de perto, porque eu já previa que a saudade me invadiria, após meus 7 giros em torno do sol.

a chuva escorre
boca adentro
e vou-me andando pela chuva
cata-vento

a chuva escorre pelos
olhos
e vou-me, atento
choro-chuva, meu alento

a chuva escorre
e vou-me
chorando chuva
a tempo
(poema dos 7 anos, quando descobri que perdas são irremediáveis)

10 comentários:

dylpires disse...

despedir-se com um Adeus! é se por como alguém que funda a condição da própria espera. que poema belamente-dolorosamente delicado! adorei. quero ele p o meu baú...

Rodrigo Abdalla disse...

lindo, lindo, lindo!!!!!! fiquei emcionado, vc sempre é muito intensa. lindo!

o caminho do meio disse...

março e suas tristezas...

ontem assisti a um desenho do snoopy em que a tradução era horrível. o linus se chamava Duque e a lucy (minha doce Lucy!) era Clara. arrrgh!

sobre despedidas, passei a infância e a adolescência me despedindo. talvez por isso meu travesseiro seja salgadinho...

beijos cheios de saudades de ti pra ti!

bruno disse...

os giros em torno do sol ofuscam as estrelas que aparentam estar longe, mas nem sempre relaxo um canto onde a chuva não me alcança mais que os sapatos...esses dias de março estão marcados com água inevaporável, quase como choros e despedidas em portos. beijão!!!

reuben disse...

O teu poema tá lá no trompetista. Depois me diz. Beijo.

pedro pan disse...

, as palavras escorrem por a folha.
será que escorrem ou escorregam.
as palavras dançam por a folha.
|beijos meus|

fabio jardim disse...

que poema forte, pois chover é irremediável!

carolina disse...

ei, foi bom conversar contigo hoje, mesmo que nesse não lugar q é internet. o dia tava tão inutil q resolvi fazer um blog. (passa depois?)bjos e espero o cd.

.pa. disse...

.perdas e ganhos.

.coisas de não saber sabendo.

jsimass disse...

lembrei de um céu em tons azul mauricio e bêbê...