sexta-feira, março 03, 2006

Sexta, uma segunda demorada e chuvosa

Dormi até esquecer que acordar seria o próximo passo ou lembrar o que Lispector sussurrou: há vida – mesmo tendo que vivê-la ou não. Sorrateiramente, não-inteira, acordo com o barulho da TV, vindo da sala, despertador narrativo que anunciava o suicídio do então moribundo. Como se não quisesse, ainda tentei lembrar da noite passada, ligeira na memória a história quase dilacerada e dolorida.

Continuo escutando Billie e me pergunto o motivo de gostar tanto dela. Sinceramente, não sei se gosto dela por involuntariamente gostar, ou se é porque acho bonito gostar da Billie. Pensei nisso um bom tempo e me dei conta que perdi várias horas em mim e na minha cabeça, que anda povoada com seres encantados e muitas fotografias. Gostaria mesmo de ir ao Batista, pedir a dose de canela (- apenas um dedinho, não mais que isso, por favor) e perguntar por qual razão ele não gosta de fotos. Talvez não tenha razão alguma. Eu mesma não gosto de fotos minhas... sempre acho que a câmera vai propositalmente captar meu olho torto.

Caminhei ainda comigo, sempre. Encontrei amigo antigo e pensei que sou cruel por não procurar as pessoas que gosto e que sempre demonstram afeto e uma inclinação em tentar me compreender. Andava com o transeunte, falávamos bobagens e subitamente veio uma vontade visceral de dizer que estou com medo, quero colo e que se dane a fantasia da mulher fortaleza. Chorar é um remédio e não apenas um conforto. Gostaria de chorar com os pés descalços e tirar a blusa para respirar melhor... e que se danem – também - os pudores!

Um presente e um adeus! Mais um! Sinto mais falta dos dedos ao violão que a companhia. Tenho gostado de estar só e visitar imaginariamente os amigos que recordo. Vou fazer um curso com cerâmica e andar mais com as sandálias desconfortáveis. Vou ler mais contos e saber mais sobre a minha vida off line.

Colasanti escreve sobre a mulher que tinha a lua sob a pele. Ando achando que tenho o mar sob os olhos... Lágrimas e mais um copo de vinho com sabor da cachaça do Batista, - apenas uma dose, por favor.

Une(versos)
E a(terra) palavras...

8 comentários:

fabio jardim disse...

saudades de sua escrita (só um registro).
e caminhar consigo é sempre bom. costumo me fazer essa companhia de vez em quando.

o caminho do meio disse...

vamos então tomar uma dose no batista?? estou aqui!!!! beijos!

Noturna tardiando disse...

Estava com saudade de sua voz. Saudades de alguém a quem nunca vi e com quem compartilho lágrimas, cachaça e um tanto de dúvida.

pedro pan disse...

, ao que zigue-zagueando avoei a pé aqui. ali. lá & acolá. jazz era hora de ouvir billie. e beber de umas cachacinhas. se os olhos estão como mar. deixe-se navegar.
|abraços meus|

vinícius disse...

poxa jana. billie é atmosfera pra mais que os dias confusos. amiúde tenho vontade de saber de tuas inquietações e/ou delírios.tu disseste que 'Chorar é um remédio e não apenas um conforto'. é verdade. acho que não te mostrei uma canção("velhinha") minha com um amigo que diz que só os fortes choram. lembrei dela depois disto. quanto às doses...sei lá... adoro vc dizendo viiinnni!!!: tenho essa imagem-som na cabeça. te amo.

Zema Ribeiro disse...

Tava com saudades. Tou com saudades. Abraço!

Felippe disse...

E assim vai a vida... Como costumo dizer somos os sonhos que não somos no real. O real existe subvertendo-se em nossa volúpia cotidiana, mais fortemente no plano ideal...Quando a volúpia é demais algumas gotas respingam no real e a roda da história se move. Somos imagens enfim... Mas há vários tipos delas...Há as imagens do espetáculo que nos é imposto. Há também nossa imagem-máscara estética: nossa vida-arte. É da segunda que se trata. Não sei quem é Billie, mas deve ser legal.

caramello disse...

tu sempre me emociona menina. to me perguntando agora se é por isso então q te vejo tão pouco...pra não ficares banal pra mim
(q bobagem)
saudades